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Contas da Educação · o método · dados coletados em 01/09/2026 · leitura descritiva

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O método, número a número

Cada número desta régua sai de uma base pública oficial, por uma fórmula declarada nesta página, e carrega a requisição de máquina que o devolve, a linha e a coluna na fonte, a data em que foi coletado e o hash do arquivo bruto. O que a fórmula sinaliza, o que ela exclui e o que ela recusa a interpretar também estão aqui.

De onde vem cada número

Três bases oficiais, todas de acesso público e gratuito, coletadas por chamadas diretas às APIs dos órgãos entre 31/08 e 01/09/2026:

SICONFI e SIOPE registram o que cada ente declara ao governo federal. São dois sistemas administrativos, com conceitos e rotas de coleta diferentes, alimentados pela mesma prefeitura ou pelo mesmo governo estadual, e por isso a conferência entre eles testa a coerência da declaração, sem ser prova independente. A régua trata a natureza declaratória como limite de origem: ela aparece no rodapé de cada visão, e a seção O que a régua sinaliza e o que exclui mostra o que acontece quando uma declaração falha.

A despesa por matrícula

O indicador municipal desta peça é a despesa empenhada na Função Educação por matrícula da rede municipal: a função 12 inteira que o município declarou ao Tesouro, dividida pelas matrículas da rede municipal no Censo Escolar do mesmo ano. O numerador cobre toda a função 12, e por isso pode incluir ensino médio, ensino superior, educação profissional, administração e convênios, despesas que não correspondem aos estudantes contados no denominador; o indicador não equivale ao custo contábil de cada aluno. Em Presidente Kennedy (ES), por exemplo, a função 12 de 2025 inclui cerca de R$ 16,7 milhões de ensino superior e R$ 4,9 milhões de ensino médio. O cartão de cada município mostra a composição da função 12 por subfunção, para que essa fatia fique à vista. Todos os valores monetários da peça são nominais do exercício, sem deflator, e não se comparam entre anos como se fossem a mesma moeda.

O resultado foi conferido contra o indicador oficial de investimento por aluno da educação básica que o SIOPE publica por outra metodologia (indicador 4.8). Nos 5.538 municípios com as duas vias em 2024, a diferença mediana ficou em 5,1%, e 96,3% dos municípios ficaram dentro de ±25%; em Barretos, a diferença foi de 0,07% (R$ 16.645 pela declaração ao Tesouro, R$ 16.633 no indicador oficial). Em 2025 a conferência fecha em 97,4% dentro de ±25%.

Em 2023 as duas vias não fecham: só 68,0% dos 5.551 municípios ficam dentro de ±25%, e em cerca de um terço da base o indicador oficial está próximo do dobro da via da DCA (Barretos: R$ 16.568 pela declaração ao Tesouro contra R$ 34.704 no indicador oficial). O mesmo padrão aparece nas redes estaduais naquele ano. A conferência de 2023 vale como alerta de incompatibilidade entre as bases, e não como validação; a régua declara o exercício como tal e, nele, deixa de tratar a divergência moderada como sinal de um município específico.

A comparação por pares

Município se compara com a própria faixa: mesma região geográfica, mesmo porte populacional (sete cortes, população do cadastro de entes do Tesouro, com o operador declarado: "menos de 5 mil" é população abaixo de 5.000; "5–10 mil" vai de 5.000 a 9.999, e assim por diante até "500 mil ou mais"). Capital nunca aparece ao lado de distrito. Das 35 faixas resultantes, 32 têm municípios suficientes para estatística (oito ou mais); as três faixas de metrópoles do Norte, Centro-Oeste e Sul ficam fora das medianas por tamanho.

O estoque cobre 5.558 municípios com declaração de despesa em 2023, 5.546 em 2024 e 5.482 em 2025. Entram na comparação de pares os que têm despesa, IDEB municipal dos anos iniciais, rede com pelo menos 100 matrículas e observação não excluída por robustez: 5.214, 5.197 e 5.225, respectivamente. O que fica fora segue visível, marcado no cartão do próprio município: sem IDEB municipal para comparar (325, 327 e 247), observação excluída por robustez (13, 17 e 12) e sem DCA no exercício mas com indicador do FNDE (10, 20 e 87), estes últimos presentes no mapa do piso, que independe da declaração de despesa.

Toda posição exibida na peça é o percentil do município dentro da própria faixa, calculado como a fração de pares estritamente abaixo dele mais metade dos empates. Por essa fórmula ninguém ocupa o percentil 0 nem o 100; a peça exibe uma casa decimal e, no corte de listas, usa o valor sem arredondar. O retrato nacional aparece agregado, fora dessa conta.

O que a comparação mede

A medida do mapa é a diferença de posição relativa: o percentil do município na despesa por matrícula menos o percentil no IDEB, dentro do mesmo grupo de porte e região. Ela descreve contraste entre duas posições, e só isso. Ela não mede eficiência, desperdício, mérito ou efeito causal, porque o cálculo não controla o IDEB anterior, o nível socioeconômico, a composição dos estudantes, o custo regional, a ruralidade, a educação especial, a jornada integral, as transferências, a capacidade fiscal, a cobertura de etapas nem a defasagem do investimento. Um município "acima da mediana em despesa e abaixo em IDEB" está nessa posição; a peça não diz por quê.

Nas 32 faixas com pelo menos oito municípios, a associação monotônica mediana entre a posição da despesa por matrícula e a posição do IDEB (correlação de Spearman, calculada com precisão integral em cada faixa e só então exibida com três casas) foi fraca: rho = 0,111 em 2023, 0,115 em 2024 e 0,134 em 2025. A análise é descritiva: não estima quanto o gasto causa aprendizagem nem identifica por que os resultados diferem. O quadrado dessa correlação não é um percentual da aprendizagem explicado pelo gasto, e o que resta não pode ser atribuído à gestão sem um desenho que a meça. Em oito variações da metodologia medidas sobre o estoque de 2024 (outros cortes de porte, pareamento pelo tamanho da rede, despesa liquidada, anos finais do fundamental, entre outras), a associação seguiu fraca, com mediana das correlações abaixo de 0,14 em todas.

Os anos e a defasagem

A régua cobre três exercícios de despesa (2023, 2024 e 2025) e a série 2020–2025 dos indicadores do SIOPE. Dois exercícios comparam sem defasagem: a despesa de 2023 contra o IDEB 2023 e a despesa de 2025 contra o IDEB 2025, já incorporado à régua. O exercício de 2024 usa o IDEB 2023, a última edição pública à época daquele gasto, e a peça escreve essa defasagem ao lado dos números. A associação fraca aparece nos dois pares sem defasagem: 0,111 em 2023 e 0,134 em 2025. Os valores em reais de cada exercício são nominais e não foram deflacionados; a peça não interpreta crescimento entre anos.

O piso de 25%

A Constituição (art. 212) exige que estados e municípios apliquem no mínimo 25% da receita de impostos em manutenção e desenvolvimento do ensino. Aplicação inferior ao mínimo configura descumprimento do art. 212 e pode fundamentar parecer pela rejeição das contas, sujeito à análise dos órgãos de controle e ao julgamento competente, que examinam o caso concreto. O SIOPE publica, por município e ano, o percentual aplicado e os valores exigido e aplicado em reais; a lista da peça nasce desse indicador puro, e por isso independe da prestação de contas ao Tesouro: quem não declarou a DCA continua nela. Volta Redonda, com 16,63% aplicados em 2025 e sem DCA naquele exercício, é o caso que uma lista derivada só da declaração de despesa esconderia. Ficaram abaixo do piso 27 municípios em 2023 (insuficiência nominal de R$ 423,0 milhões), 84 em 2024 (R$ 383,7 milhões) e 23 em 2025 (R$ 150,1 milhões).

Duas notas de leitura acompanham qualquer uso: a Emenda Constitucional 119/2022 afastou o descumprimento dos exercícios de 2020 e 2021, e por isso esses anos entram como contexto histórico, fora de qualquer lista; e a fronteira é povoada (182 municípios declararam entre 25,00% e 25,05% em 2024; 85 em 2023, 150 em 2025, contados no universo inteiro do SIOPE, com ou sem DCA), então a lista usa o valor exatamente como o SIOPE o publica, com duas casas decimais.

O nível estadual

A peça cobre também as 27 redes estaduais de ensino (26 estados e o Distrito Federal), nos mesmos três exercícios, com as mesmas três bases na esfera estadual: a DCA de cada governo estadual (função 12 com subfunções), os indicadores estaduais do SIOPE e o IDEB da rede estadual, na planilha de divulgação por unidade da federação do INEP.

Dois papéis se invertem em relação ao municipal, e a inversão tem causa no dado. A função 12 dos estados carrega o ensino superior (as universidades estaduais moram na subfunção 12.364), então a divisão crua da despesa pela matrícula descreve outra coisa. O número-mestre estadual é o investimento por aluno da educação básica que o SIOPE publica (indicador 4.8 da esfera estadual); a conta própria vira a linha de conferência: função 12 sem a subfunção 12.364, dividida pelas matrículas da rede estadual do Censo Escolar. A composição por subfunções típicas (fundamental + médio + infantil) foi testada e recusada: em pelo menos um dos três exercícios, seis estados (AL, GO, PI, PR, RS e TO) empenham mais da metade da função 12 na subfunção genérica 12.368, e a soma por etapa cai abaixo de 9% da despesa neles. Alagoas, Paraná e Rio Grande do Sul fazem isso nos três anos; Goiás e Tocantins em 2023, o Piauí em 2024. Na composição adotada, a divergência mediana entre as duas vias fica em −8,5% em 2025 e −14,9% em 2024.

Em 2023 a divergência mediana é de −51,6%: o indicador oficial fica sistematicamente acima da via da DCA, em 12 das 26 redes o investimento por aluno oficial daquele ano supera o do mesmo ente em 2024 em mais de 1,5 vez, e nas 26 redes o total implicado pelo indicador supera a própria função 12 declarada ao Tesouro, em razões de até 2,4 vezes, contra 1,8 em 2024 e 1,6 em 2025. O retrato estadual de 2023 é, por isso, um alerta de incompatibilidade entre as bases, e a peça o declara assim: ele não sustenta conclusão sobre a relação entre gasto e IDEB nem se combina com 2024 e 2025 para isso. A régua exibe os dois lados sem edição, com a divergência linha a linha.

O retrato estadual é direto: percentil de gasto oficial e percentil de IDEB do Ensino Médio entre as redes com dado, sem faixas de pares, porque 27 unidades não sustentam recorte por região e porte. O Ensino Médio ancora o retrato por ser a etapa de atuação prioritária dos estados (LDB, art. 10); os anos finais conversam com o nível municipal na costura, e os anos iniciais aparecem onde a rede estadual mantém a etapa (26 das 27). A correlação de Spearman entre gasto oficial e IDEB do Ensino Médio, nas 26 redes com dado, é −0,124 em 2024 (intervalo de 95% por reamostragem entre −0,485 e 0,294) e −0,055 em 2025 (entre −0,448 e 0,352); em 2023, sob a incompatibilidade descrita, −0,118 (entre −0,478 e 0,247). Com 26 observações, os intervalos cruzam o zero em todos os anos: nesta amostra descritiva não foi detectada associação monotônica relevante, o que não equivale a ausência de efeito.

Duas ausências ficam declaradas em vez de preenchidas. O SIOPE devolve vazio para Minas Gerais em todos os exercícios desde 2016, o que a coleta verificou diretamente na base; reportagem de agosto de 2025 atribui a ausência à não transmissão dos dados de 2024, que deixou o estado como o único inabilitado para a complementação VAAT do Fundeb em 2026. O estado aparece no mapa sem indicador, sem número no lugar. E a API do SIOPE devolve dois valores mascarados (o MDE exigido de São Paulo em 2023 e o do Espírito Santo em 2025), que entram como lacuna declarada. Abaixo do piso, o quadro estadual é curto: o Rio Grande do Sul (18,73% aplicados, R$ 2,92 bilhões aquém do exigido) em 2023 e o Rio Grande do Sul (20,66% aplicados, R$ 2,36 bilhões aquém do exigido) em 2025; em 2024, nenhuma das 26 redes que constam na base ficou abaixo, e Minas Gerais segue como incógnita. Brasília, ausente da conta municipal por declarar como Distrito Federal, existe no nível estadual como rede única distrital.

O cartão de cada estado traz ainda a costura com os municípios dele: o percentual aplicado do estado ao lado da mediana dos municípios da própria UF, o gasto oficial por aluno ao lado da mediana municipal, e o caminho de volta, que abre o mapa municipal filtrado naquela UF. O relatório estadual do SIOPE e o municipal existem separados nos portais oficiais; a costura entre os dois níveis, clicável até a fonte de cada lado, é desta peça.

O que a régua sinaliza e o que exclui

Base declaratória contém declaração que não fecha, e a régua separa duas respostas a isso. Um sinal fica visível no cartão como "valor a confirmar" e não tira o município de nenhuma estatística. Uma exclusão tira a observação das estatísticas de faixa, com o motivo registrado, e a linha segue na régua, no mapa e no cartão. A régua nunca escreve que uma declaração está errada: escreve "observação excluída por robustez".

Limites que permanecem

Cinco limites sobrevivem a qualquer refinamento, e a leitura deve carregá-los. O desenho é descritivo e transversal: compara posições num mesmo ano, sem grupo de controle, sem histórico e sem variáveis de contexto, e por isso não mede impacto, eficiência nem valor adicionado. A função 12 soma despesa fora da rede municipal (superior, médio, profissional, convênios), cujas matrículas o denominador só captura em parte, o que infla o quociente de quem conveia creche ou mantém outras etapas. O FUNDEB redistribui receita, então despesa alta por matrícula descreve capacidade de aplicação do ente naquele ano, sem dizer de onde o dinheiro veio. Custo local varia (transporte em área rural extensa, salários regionais), e a comparação por faixa reduz esse efeito sem eliminá-lo. E os valores são nominais de cada exercício, e o IDEB de rede pequena oscila entre edições, razão pela qual nenhum destaque da peça se apoia num único ano.

Como conferir qualquer número

Todo número da peça abre em dois caminhos, e a peça os distingue. O link humano leva à página oficial navegável do órgão, com o caminho de cliques descrito quando o portal exige seleção manual (SICONFI e SIOPE exigem captcha no navegador). A requisição de máquina é a chamada que devolve o número: URL completa com parâmetros no SICONFI e no INEP, e no SIOPE um POST cujo corpo (esfera, código do município sem dígito verificador, anos, códigos de indicador) está registrado por município. O cartão de cada ente traz a trilha de auditoria com essa requisição, a linha e a coluna na fonte, o arquivo bruto onde o registro mora com o seu sha256 e a data da coleta; a trilha completa de todos os entes e exercícios, com contrato versionado, fica com a Apolus e está disponível por contato. Os arquivos brutos da coleta estão congelados por hash criptográfico, conferíveis em modo somente-leitura, o que permite provar, em caso de retificação futura da prefeitura, qual número o órgão publicava na data em que a régua foi montada.

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